Monstros e monstrengos do Brasil
Ensaio sobre a zoologia fantástica brasileira nos séculos XVII e XVIII
Afonso d’Escragnolle-Taunay (Organizado por Mary Del Priore)
Editora Cia. Das Letras
História - 272 páginas
Coleção Retratos do Brasil volume 15
Capa: Victor Burton

R$ 19,00

Afonso d’Escragnolle-Taunay (1876-1958) lançou Monstros e monstrengos do Brasil em 1934. Engenheiro por formação, foi aos poucos transitando para as humanidades, campo em que deixou um trabalho sólido e fecundo, do qual esse estudo é um bom exemplo.

Compilador paciente, colecionador detalhista, Taunay revisa a bibliografia sobre a fauna fantástica brasileira nos séculos XVII e XVIII, fornecendo uma visão geral do tema e avalizando-o como objeto de interesse dos estudos acadêmicos, num momento em que a história das mentalidades e da cultura mal dava os primeiros passos na França (com historiadores como March Bloch e Lucien Fèbvre). A corrente de Taunay é outra, sem dúvida, como se observa pela ironia divertida que ele se permite expressar em relação ao tema ou pelo seu empenho em distinguir a "verdade" e a "invencionice" nas criações do imaginário. Ao mesmo tempo, entretanto, há nele uma simpatia pelos relatos dos antigos, uma predisposição para tratá-los como documento, e isso basta para que este livro ocupe um lugar pioneiro e permanente na historiografia brasileira.

Um peixe que tem pedras no lugar dos miolos, um peixe-monstro que não tem intestinos, um molusco que menstrua como as mulheres, um gambá cujo fedor deixa um homem ou um cavalo desacordado por três ou quatro horas, os porcos-monteses que têm o umbigo nas costas e que cometem suicídio coletivo, um lagarto que se alimenta de vento, um filhote de onça que rasga o útero materno ao nascer: essas e outras alimárias são retratadas na literatura dos séculos XVII e XVIII, em clássicos como os Diálogos das grandezas do Brasil ou em opúsculos que visavam apenas saciar a curiosidade do público da época — a teratologia, na verdade, foi um filão editorial até princípios do século XIX. Pesquisando de livro em livro, Taunay montou um álbum rico e diversificado dos seres monstruosos que impressionaram os primeiros brasileiros.

Monstros e monstrengos do Brasil, o décimo quinto volume da Coleção Retratos do Brasil, tem introdução e notas de Mary Del Priore.

Mary Del Priore é professora do Departamento de História da Universidade de São Paulo. É autora de Ao sul do corpo (1993) e organizou História das mulheres (Prêmio Jabuti de 1997).

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