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Virna G. Teixeira


v i s i t a

 


7 LETRAS

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UMA TARDE, MAIO

 

cozinha

 

pedaços de manga

 

entre os dedos

 

risos

 

a vida

 

polpa

 

doce e

 

gelada

 

 

(leia mais poesias de Virna Teixeira - Sala de Leitura)

(leia poesias traduzidas por Virna Teixeira - Sala de Leitura)

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Virna Gonçalves Teixeira nasceu em Fortaleza em 1971. Mora em São Paulo, onde trabalha como neurologista. Publicou alguns dos poemas reunidos em Visita nas seguintes revistas: Monturo (Santo André-SP), Afinidades Eletivas (Fortaleza-CE) e Inimigo Rumor (Rio de Janeiro-RJ)

 

ENTRE, MAS A CASA NÃO É SUA.

Talvez essa pequena frase, tomada como título para esta advertência, funcione sobre Visita e seja singular para resumir a idéia de Virna: toda visita não deve, não pode ficar, como tivesse que ir embora. Toda visita não é bem vinda. Toda visita é ninguém em se tratando do lugar que Virna as recebe: o cosmopolitismo da mudança, habitante e não-habitante de várias cidades, de estar nelas - entre a passagem e a ida, a volta para outra que também não é sua, é de ninguém -, e de escrever os poemas a partir delas.

Esse cosmopolitismo de Virna vem de suas pequenas viagens em volta da Terra, vem de sua idéia singular de fazer girar o seu olhar sobre a parte mais sensível da viagem: a do retorno, a casa. Não à toa divide o livro em Visita e Percursos, partes e nomes que sintetizam isso. Mas mesmo ainda a casa está fora de lugar, parece não ser dela, de fato, pois é uma casa estranha, e desta vez, não nomeada. Em poemas como Visita, homônimo ao livro, fica clara a atmosfera: " Criado-mudo / Bíblia e / rosário de contas. // Na cama, ao lado / a nudez / sem nome." Em Quarto, retira mesmo e de fato os nomes, a necessidade de nomear, e impõe uma outra, a de perceber os alguéns, a de querer sabê-los também de passagem, ou de nomear a ausência, e sem nenhum pressuposto de dor, mas de constatação: "um travesseiro/ bordado, canto 7 esquerdo: / ninguém."

Virna reage, e de vez, em silêncio e síntese, com seus versos curtos, fragmentados, de um rigor e de uma pesquisa com a linguagem da fala, a esta mítica da poesia dita feminina, abobalhada, dotada de palavras servis ou à cantilena de vísceras sem força da desnecessidade de conquista do mundo. Virna exige o mundo, quer dele seu lugar, estar nele, tomar posição e reiterar sentido para, como uma poeta que está entre a confissão e o jogar-se no mundo, na vida, depõe também visceralmente, mas sem perder a noção do olhar para fora, para o que a exterioridade deposita à existência.

A poesia de Virna G. Teixeira é assim, sem nenhuma dúvida, nesta estréia em livro, um pequeno preâmbulo de rigor, de um olhar abruptamente cortado, deslocado e, sem o medo do risco, com a matéria-prima do citadino, do cotidiano que sempre desorienta e oblitera existir. Visita é, a meu ver, uma constatação de palavra e um mergulho de pesquisa por um jeito e um trajeto que ainda faça sentido ao poema.

Manoel Ricardo de Lima
maio, 2000

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