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O gato desaparece do poema
feito de leitura ensanguentada e surda.
Coisa química transpondo o louco
crescimento endurecido.
Ruptura anseios de ter gato
e escapá-lo das cabeças das medusas
e desenhá-lo nas escarpas dos seus pulos
e neles arrastar o sal espesso
dos seus pêlos umedecidos pela espera, e a dor
de não poder cindir a noite,
nem o dia,
nem estranhamente sumir às vistas
do monstro e sem saber
fluindo entrar nesse poema.

d’après Jorge de Lima
Invenção de Orfeu IV, I

    
O gato era um dia imaginado nas palavras
conforme os gastos diários pensamentos
o gato era um dia como um futuro
e enterro temido dos palmares.
O gato era excluso do meu tempo
e arranhava em espaços esse dia
o gato era gato que não símbolo
e símbolo que não era nesse dia
o gato era o dia sem poeta
redividindo em dias os seus saltos
que dia a dia seriam de montanhas
e desenhos e escritos que parassem
o dia do gato que seria
e o salto futuro do poeta.

d'après Jorge de Lima
Invenção de Orfeu III, XXII