...A BIBLIOTECA IDEAL SEGUNDO...

 

 
José Saramago   
Antonio Callado
Paulo Leminski
Paulo Coelho

 



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José Saramago

"Certamente não se espera que eu dê uma lista de livros, que seria o embrião de uma biblioteca. Uma vez que eu me esforçaria a indicar obras que até hoje se escreveram.
Excluindo o método de algumas pessoas, de entrar na livraria e comprar tantos metros de lombadas quanto os metros das estantes, outro há, muito mais inteligente. Consiste em começar por adquirir histórias da literatura dos diversos países e avançar por elas como a floresta Amazônica, a descoberto.
Mas melhor do que tudo, proponho um jogo em que o acaso intervem. Compre-se um livro, qualquer um, e faz-se dele o ponto de partida. Logo à primeira página encontraremos caminhos para outros livros. Se não de modo explícito pelo menos implícito. Um exemplo: se nele se falar de Deus, compraremos um que Dele se trata, e aí, inevitável, acharemos referências ao diabo. De palavra em palavra, de tema em tema, de sugestão em sugestão, em tempo teremos a biblioteca universal. Se não valeu a pena tanto esforço para chegar ao que já existe? Eu respondo: valeu. A biblioteca nós próprios a teríamos inventado, explorando os caminhos do acaso. Porque formar uma biblioteca é um ato de criação." (*)

 

 

 

 

Antonio Callado

Dizia ele que tudo depende do gosto de cada pessoa. A dele, em particular, deveria conter inicialmente duas boas enciclopédias. Na prateleira dedicada à literatura constariam os nomes que se tornaram clássicos em seus países. Na literatura brasileira, Machado de Assis, Euclides da Cunha e Guimarães Rosa; na inglesa, Shakespeare; na irlandesa, Joyce e Bernard Shaw; na italiana, Dante; na francesa, Marcel Proust, Balzac e Racine; na russa, Dostoiévski, Tolstoi e Tchekhov, na alemã, Thomas Mann, Brecht e Goethe. (*)

 

 

 

 

Paulo Leminski

Recomendava o que considerava a "artilharia pesada" das bibliotecas, bombardeando: os Evangelhos; "Da Guerra", o manual utilizado por militares de todo o mundo, escrito por Carl Von Calausewitz - "porque a guerra é a maior diversão da vida humana" -; as obras completas de Marx - "aborda o lado diurno do ser humano" -, de Freud - "fala do lado noturno do homem" -, e de Nietzsche - "o crítico mais radical da cultura humana"; e o romance "Finnegans Wake", de James Joyce. (*)

 

 

 

 

Paulo Coelho

Para ele, são os seguintes os livros que ninguém pode deixar de conhecer: "A Bíblia"; o "Ching"; a criação completa de Jorge Luis Borges; "As Mil e Uma Noites"; a obra completa de Carlos Castañeda; "Don Quixote", de Cervantes; a poesia de Soror Juana de la Cruz; "A vida de um toreiro", de Dominique la Pierre; "Flores do Mal", de Baudelaire; "Histórias Extraordinárias", de Edgar Allan Poe; "Lendas do Céu e da Terra", de Malba Taham. (*)

(*) Extraído de "Folha de São Paulo", 26/03/89 - artigo de Beth Volpi.

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