CDs - Cabine de Som

«voltar

Luar de Outono CDs DVDs Livros Musicais

DESTAQUE DA SEMANA - Joni Mitchell

 

BlueBlue
Elektra/Asylum
Joni Mitchell



Court and SparkCourt & Spark
Elektra/Asylum
Joni Mitchell

 

Tribute to Joni MitchellTribute to Joni Mitchell (2007)
Sarah McLachlan, Prince, Sufjan Stevens, Caetano Veloso, Annie Lennox, Björk, James Taylor, Emmylou Harris, Elvis Costello, KD Lang, Cassandra Wilson /Joni Mitchell
WARNER MUSIC (CD)

-Veja Vídeos de Joni (shows/entrevistas)»

-Morrissey Interviews Joni Mitchell
Rolling Stone, March 6, 1997 »

- CDs/DVDs de Joni Mitchell (importados) »

Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison, Joan Baez, Graham Nash, David Crosby, Steve Stills.... Esses são uns poucos nomes que fizeram sucesso na década de 70 e que são conhecidos até hoje. Porém, infelizmente, um nome deveria estar presente nesta lista e, por desleixo nosso (como ouvintes e apreciadores da música), não lhe damos grande atenção. Mesmo tendo feito discos importantíssimos (mais de 20 álbuns em 30 anos de carreira), o nome Joni Mitchell ainda é estranho para muitas pessoas que se dizem amantes do rock.

Joni Mitchell, nascida Roberta Joan Anderson, passou por muitos problemas durante a sua carreira e, acima de tudo, se mostrou uma mulher lúcida e decidida. Sem dinheiro, com dificuldade de mostrar sua música ao público e grávida do ex-namorado, Joni teve que se casar, no desespero, com o cantor folk Chuck Mitchell, de quem herdou seu sobrenome artístico. O casamento durou apenas um ano e meio e, anos mais tarde, em 1967, Joni conheceu Elliot Roberts e o ex-membro do The Byrds, David Crosby, os quais foram de grande ajuda para o seu sucesso, conseguindo contatos para gravar seus discos e lugares para que ela pudesse se apresentar.

Depois disso, o sucesso veio rápido. O primeiro disco, entitulado somente de "Joni Mitchell" mas apelidado de "Song to a Seagull", foi lançado em 68 e vários artistas começaram a regravar suas músicas. Em 69, ela lança "Clouds" e, em 1970, recebe o Grammy de Melhor Artista Folk, o que foi o suficiente para a gravadora Reprise lançar, no mesmo ano, seu terceiro disco, "Ladies of the Canyon", que emplacou nas rádios e tornou-se seu primeiro disco de ouro (500.000 cópias).

Nesta época, o sucesso que Joni Mitchell tanto procurava começou a sufocá-la. A artista se dizia estar "presa em uma gaiola" e isolada do mundo. Com isso, ela reduziu drasticamente o seu número de apresentações, vendeu sua casa em Los Angeles e se escondeu na recém-comprada residência em British Columbia, perto da natureza, onde dispunha de serenidade e privacidade. Joni continuou lançando discos mas eram raras as suas aparições públicas, salvo alguns shows beneficentes.

Foi logo no primeiro ano de reclusão que Joni lançou a sua obra-prima: o disco "Blue". Este foi um dos álbuns confessionais mais importantes da história. Joni disse que estava em um "estado emocionalmente transparente" quando ela fez esse disco. Estudante de arte e pintora, Joni usa neste disco o azul como a cor que representa o seu momento de vida. Não um azul brilhante como o de um céu sem nuvens. Mas o azul enegrecido e sem vida que traz melancolia e tristeza. A capa do disco é um retrato do seu conteúdo. "Blue" é composto de um ciclo de canções que meditam sobre amor, perda e distância. Como bem disse o produtor Henry Lopez Real, "seus temas e inspirações são muito mais variados que a sua reputação de que é uma trilha sonora para a escolha entre a solidão e o amor". Realmente, o disco é muito mais complexo que isso, vide "Last Time I Saw Richard", cantada pela Legião Urbana em seu álbum acústico.

As canções de Joni Mitchell são como feridas expostas, contos de amor e perda (duas palavras que possuem um relativo significado aqui) estampados com uma complexidade atordoante; até mesmo as faixas como "All I Want", "My Old Woman", e "Carey" - a mais branda, o momento mais esperançoso do disco - são escurecidas por momentos amargos de sofrimento e solidão.

Como a artista não falava mais com a mídia, muito do material lírico do disco é entendido por suposições. Em algumas letras, Joni é bem explícita quanto aos seus sentimentos, mas, em outras, ainda é difícil decifrar o que passava no coração da artista ao compor suas canções. Somente recentemente foi que descobriu-se que a canção "Little Green" falava sobre o filho que Joni deu para adoção, fato que ficou guardado até 1994 (vinte e três anos depois do lançamento do disco). Neste ano, Joni cedeu uma entrevista para a revista Vogue na qual declarou: "Eu tinha dado luz a uma criança, estava falida, totalmente quebrada. E encontrei Chuck Mitchell, que disse que cuidaria de nós. Eu me sentia um pouco desgovernada... nunca nos entendemos. Fui à casa de adoção e disse 'Não consigo sair dessa situação'".

"Blue" é, sem sombra de dúvidas, o álbum mais importante da carreira da artista e um dos álbuns mais importantes da história do rock/folk.

Algumas curiosidades sobre a artista: - Joni ainda vive reclusa e quase nunca cede uma entrevista. Em uma das poucas entrevistas que cedeu, ela exigiu ser entrevistada pelo seu ídolo, Morrisey (ex-The Smiths). Morrisey, que também é fã declarado da artista, atendeu prontamente ao pedido e a entrevista (ou melhor, bate-papo) foi realizada. - Em 2002, Joni lançou seu mais recente álbum, "Travelogue". Neste mesmo ano ela declarou: "eu tenho nojo de participar desse cenário musical", se referindo à industrialização que a música veio sofrendo. - Várias das capas dos seus discos são assinadas pela própria cantora, já que Joni tem o hobbie de pintar desde a infância. - Na segunda metade da década de 70, Joni começou a revelar seu interesse pelo jazz e chegou a gravar, em 79, um disco com o baixista Charles Mingus, entitulado somente de "Mingus". - Em 1970, no Festival Isle Of Wight, considerado como sendo o Woodstock inglês, o show de Joni foi interrompido quando um homem entrou no palco pela parte de trás, retirou o microfone das mãos da artista e proferiu palavras reprovadoras quanto à organização e ao significado de um festival como aquele. O homem teve que ser arrastado para fora por seguranças. Este homem, curiosamente, era Charles Manson, o famoso serial killer.

Jairo de Souza em poppycorn