Claudia Roquette-Pinto
Gualde amarelo amarelo andante em verde
partitura oscilante das flores o vento
(ralento até o silêncio)
mas ouça: na lousa da noite
os grilos vão deixando reticências.
*
acima desta escuridão alguma coisa debruça
– e a multidão de estrelas mudas –
uma face que vertesse
olhos de amoroso interesse
sobre outra face
a noite desce
seu punhado de estrelas – quase – até a água:
vagalumes
sobre o lago
*
vigia
eu beijo o verso
das pélpebras
no rosto do menino sem sono
estendo o sono
que esgarça
descobre os pés quando o branco
atravessa
(ultrapassa) um globo
e outro tonto
cobertor de fumaça
ainda à margem do incêndio do sonho
*
No éden
peço à ela que se desnude
começa pelos cílios
segue-se ao arame dos
utensílios diários
(insônia alinhavando-se
de tiros
a infância seus disfarces
é preciso
que se arranque toda a face
deixar que os olhos descansem
lado a lado com os sapatos
na camurça oscilante
de um quarto
isso, se quer (sequer desconfia)
tocar o que se fia (um par
de presas, topázios)
entre o vão das costelas
abra o fecho ela desfecha
no escuro o quadrante onde vaza
a luz e suas arestas
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