|
Era uma velha mãe em fundo de jarrão verde com aplicações de latão, flores fabulosas devidamente domesticadas. Também havia uma pêndula ressoante por onde o tempo se introduzia nas pessoas. Este quarto dura desde as origens da vida - penso. Foram entrando nele, como pequenas correntes tranquilas, os minutos dos séculos. Minha mãe é tão velha diante da mesa oval de pau-santo. Todas as mães são velhas. Vejo isso de repente, quando ainda imagino a tenacíssima doçura que se desenvolve do núcleo central da sua beleza. Felizmente não se pode assistir ao vagaroso envelhecimento de uma pessoa. Vê-se tudo de uma só vez. É quando já somos cépticos. Vê-se que todas as mães caem de podres. A velhice começou pelo meio, algures, num sítio obscuro. No seu amor. Ou no pânico que acompanha esse amor. Quando as mães estão velhas, encontramo-nos absolutamente sós. Vou-me embora - declarei eu. Podemos então correr mundo. É-nos dado sofrer à vontade; ser alegres, violentos e loucos; fugir; amar todas as coisas como se estivéssemos perdidos para sempre. (...)........................................................................ |