LA JAULA
Afuera hay sol.
No es más que un sol
pero los hombres lo miran
y después cantan.
Yo no sé del sol.
Yo sé la melodía del ángel
y el sermón caliente
del último viento.
Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.
Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.
Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.
Afuera hay sol.
Yo me visto de cenizas.(Alejandra Pizarnik, de Las aventuras perdidas, 1958)
A JAULA
Lá fora faz sol.
Não é mais que um sol
mas os homens olham-no
e depois cantam.Eu não sei do sol.
Sei a melodia do anjo
e o sermão quente
do último vento.
Sei gritar até a aurora
quando a morte pousa nua
em minha sombra.Choro debaixo do meu nome.
Aceno lenços na noite
e barcos sedentos de realidade
dançam comigo.
Oculto cravos
para escarnecer meus sonhos enfermos.Lá fora faz sol.
Eu me visto de cinzas.(Tradução: Virna Teixeira)
LOS PASOS PERDIDOS
Antes fue una luz
en mi lenguaje nacido
a pocos pasos del amor.Noche abierta. Noche presencia.
OS PASSOS PERDIDOS
Antes foi uma luz
na minha linguagem nascida
a poucos passos do amor.Noite aberta. Noite presença.
(Tradução: Virna Teixeira)
Virna Teixeira é poeta, publicou Visita (2000) e Distância (2005) pela editora 7 letras. Tem colaborado como tradutora em diversas revistas de poesia e suplementos literários. Escreve periodicamente no blog "papel de rascunho": http://papelderascunho.blogspot.com/