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Mini
Conto 1
Bruna
Tiago era filho de uma famosíssima cirurgia plástica, daquelas
cuja agenda leva meses para abrir uma vaga.O pai era um renomado empresário
da área de construção.
Ele, por sua vez, era endocrinologista de ricos e bem nascidos. Badalado
e com cursos e cursos de atualização na Europa.
Bruna, a esposa, depois do terceiro filho, emplacou os 100 quilos, com
louvor.
Gorda e loira, parecia uma porca rosada pronta para o abate.
Descobriu que ele tinha um caso. Passou a viver de água, alface
e chiclete para dietas.
Quarenta quilos depois, estava linda.
Mas ainda gostava dele.Um dia, o marido avisou que ia à Espanha
fazer um curso.
Na volta da viagem, trouxe uma sacola cheia de lembrancinhas para os filhos,
todas alusivas aos Estados Unidos.
-Não foi para a Espanha?
-Não, fui para os States, com minha futura esposa.
No dia em que o divórcio saiu, os dois foram jantar no restaurante
mais luxuoso e caro do Rio de janeiro.
-Você é linda, perfeita! Sou um privilegiado em tê-la
como mãe dos meus filhos!
-Mesmo assim você me largou por uma amante!
-Uma amante não, amor! Foram várias e várias! mas
saiba que você é sensacional e maravilhosa!
Despediram-se com um beijinho no rosto.
Quinze dias depois ela saiu com o personal trainer.(casado).
Fizeram amor , sem parar, durante três horas.
Voltou para casa contente.Sentia-se vingada!
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Mini Conto 2
A puritana
Era tão puritana que tomava banho de calcinha e sutiã. Tinha
medo de morrer enquanto se lavava e não desejava aparecer diante
do pai celestial assim, a exibir as partes pudendas.
Jamais usara a palavra transar, ou copular, ou fazer amor, ou (que horror)
fazer sexo.
Quando queria dizer que alguém colocara o pipipi no popopó,
dizia, olhando para os lados, baixando a voz e cobrindo a boca com a mão:
"Ele conheceu
biblicamente a tal fulana".
Dizia assim, "a tal fulana" como se sexo fosse um agravante
para as mulheres.
Falava assim, "conheceu biblicamente", porque lhe parecia a
forma menos pecaminosa de se referir ao terrível ato. Afinal, a
bíblia nunca diz: E transou
Noé com sua mulher...", mas sim "E conheceu Noé
a sua mulher, e tiveram varões e varoas".
Quando o sexo não acontece entre o casal sacramentado, a Bíblia
é mais severa: usa a palavra fornicação.
"Eis que é maldito aquele que fornica!".
Um dia, saiu de casa e não voltou mais. Fugiu com o porteiro do
prédio. Dizem que agora, costuma tomar banho pelada. A dois.
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Mini Conto 3
O
táxi e o travesseiro
Ela fora uma das mais
bonitas daquela cidadezinha.
Convites para ser miss, para desfilar, etc.
Casou-se com o bom partido da época, e pareciam ditosos
e felizes.
Era só fachada.
Por algum motivo, ela viciou-se no consumo de certos remédios
e isso acabou com o casamento. Ele refez a vida ao lado de outra, enquanto
ela desabava mais e mais.
Aos cinqüenta e quatro anos, da mulher belíssima restava bem
pouco; os olhos continuavam de um azul inacreditável, mas o corpo
era só uma pálida idéia do passado, fato ocorre com
quase todas nós.
Um dia, arranjou um amante.
Veio contar
para a amiga confidente, uma das poucas que ainda a levavam a sério
e não se afastara dela.
Tivera, finalmente, o seu primeiro orgasmo, ela dizia.
-Mas como? a amiga atiçava.
Fora simples, ela explicou. O tal amante apenas colocara um travesseiro
debaixo das nádegas dela, e isso fizera toda a diferença.
Era um amante muito experiente, ela disse.
A amiga comemorou:
-Que bom! Agora você terá um namorado, um amigo para as horas
difíceis.
-Acho que não, estou pensando em terminar tudo.
-Mas tudo? Não está feliz com ele?
-Estou ela disse- Mas sabe o que ele fez depois da transa? Me mandou
sair depressa , pois o filho logo ia chegar. E como eu estava sem dinheiro,
voltei a pé para casa.Quando cheguei, fiquei no chuveiro durante
uma hora, chorando e sentindo-me a pior das prostitutas. Ele não
me ofereceu nem o táxi! e repetia, perplexa: -Nem o táxi!
É, colega- concluiu a amiga, morta de pena. Acho que você
tem mesmo é que terminar tudo...
-Por outro lado - continuou ela, como se falasse para si mesma - por outro
lado,vou sentir falta do travesseiro! Ah, como eu gostei do travesseiro!
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Mini Conto 4
Forró no Canavial
Quando o marido se
mandou, deixando-a com a enorme casa e a imensa saudade dele, ela pensou
que ia morrer.
Tempos depois, estava em uma festa com um amigo (intelectual) que era
doido por ela, mas não rolava nada, via-o como irmão.
Dançaram um forró, e ela até que gostou.
Quando o amigo a trouxe de volta para a mesa, um pirralho de 38 anos que
estava com eles, comentou:
-É isso que você chama de forró?
E ela:
-Claro! Adorei, nunca havia dançado forró, antes!
O garoto então falou:
-Quer ver como se dança forró?
Ela foi, e ele mostrou.
Nos braços dele, ao som da música, sentiu que a amizade
deles começava a se estreitar e outras coisas mais também
cresciam por ali.
Tarde da noite, o amigo levou-a de volta para casa.
-Tchau, obrigada!
-Tchau, precisamos repetir, foi legal!
Nem entrou na casa.
Do jardim da residência mesmo, tocou pro pirralho.
-Ele já foi, pode vir.
Na pressa, não foram nem pro motel.
Ele a levou a um canavial.
A uma da manhã, pelada, num banco de trás de um automóvel,
ela, aos cinqüenta anos, teve um caso extra conjugal com um jovem
doze anos mais novo.
Contou tudo isso rindo, para a amiga ingênua e idealista, que sempre
esperou o amor de Cinderela.
A amiga arregalou os olhos:
-Mas assim? Numa boa?
-Assim mesmo, igual te contei. E agora, eu quero é mais!
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Todos esses contos pertencem
a
Maria das Neves Alves Braga
e estão protegidos pela lei 9.610/98
Visite o site da autora:
http://geocities.yahoo.com.br/acendoasestrelas
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