Maria das Neves Alves Braga 

 

Febre de ti


Cinge meu corpo
Doido desejo
E em tuas mãos,
Latejo


Suplico, imploro
Vermelha boca
Entreaberta
Pra mim


Pulsa exigente
Febril serpente
Querendo o ninho
Carmim


Ruge a fera
Buscando a carne
Róseo e macio
Cetim


E jorra a fonte
E em teu ventre
Repouso plácido
Assim


................
No Monte Fujiyama

Amigo, volta!
Estou aqui, sozinha,
É só isso que importa.


Deixemos que o orgulho
Cuide do orgulho
E que a tua mágoa
Enterre a minha mágoa...


Nas linhas da tua mão
Vi escrito o meu destino,
E verdades puras
Eu quero te dizer;


Sigamos a jornada,
Que longo é o dia,
E custa anoitecer.


Ainda existem
Lótus a plantar,
E no céu, as nuvens
Nos aguardam...
Juntos, havemos
De molda-las
A nosso bel prazer,
Transformando-as em fadas,
Castelos, cavaleiros
E águias,
Cujas asas terão
A envergadura
Do monte Fujiyama.


Lá, onde a neve
Recobre a nívea flor
E ainda assim ela
Ressurge ,viva
E recendendo a amor,
Tão semelhante a mim.


Vai-se o inverno
E o pássaro canoro
Retornou ,
Trazendo com ele
Todas as cores,
Numa paleta
Tão bela e rica
Quanto aquela
Que um dia,
Matisse usou...


Agora,o ciclo
Se fechou;
Falta apenas
A tua presença...
Não tardes, amigo,
Esperando estou!

...........
Recontar

Alhures, na aléia,
Nos olhamos
E o alísio,
Teus cabelos esvoaçou
No exórdio
De um amplexo
Que plasmou
A panacéia
Cuja utopia inteirou
O paramento limiar
Do inolvidável.

..................
Qual dos três


Vai na frente o Xamman, guerreiro astuto
Aparência de forte, jeito de bruto
Não conhece o brincar nem o doar-se
Pois o medo de dar-se é mais ligeiro
E reprime o sentido do adoçar-se


De repente o guerreiro se retrai
Se assusta e pensa em retirada,
Vai quieto esconde-se na armadura
E de dentro de si salta alegre
O maluco alegre e irreverente
Que agrada que brinca e faz loucuras


E quando as luzes se apagam e corre o pano
E o silêncio abraça aquele palco
Que há pouco explodia em alegria
O Xamman se pergunta, olhando o espelho:
Quem de fato estava sob as luzes
Era eu, o palhaço ou o guerreiro?



* * * * * * * * * * * *

Essas poesias pertencem a
Maria das Neves Alves Braga
e estão protegidas pela lei 9.610/98
Visite o site da autora:

http://geocities.yahoo.com.br/acendoasestrelas

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