MARIA JANIA TEIXEIRA

 

Poemas ao Pai

ELEGIA DA SEPARAÇÃO

Onde
calma e conforto
vou encontrar,
se agora
são apenas círios
que iluminam
o que antes era vida?

Onde
consolo
vou encontrar
para tamanha dor?
Devo acreditar
que uma fração da tua alma
comigo vai ficar?

Só o que vejo agora
é teu vítreo,
e opaco olhar;
tua esquálida
e lívida face.


Teu coração
está frio e sem vida.
Tua boca
já não tem tom,
é feita de silêncios.
Tuas mãos
já não podem acariciar.

Diga-me,
Como suportar a dor,
se agora
são apenas círios
que iluminam
o que antes era vida?

PROCISSÃO DE LÁGRIMAS

Esses olhares
nostálgicos sobre o morto
são inúteis, são círios frios,
não têm o poder de ressucitá-lo,
não poderão nunca despertar a vida
já perdida,
já arrebatada.

Essas procissões de lágrimas
mal contidas,
algumas disfarçadas,
são inúteis, são farpas translúcidas
acolhidas no coração do morto
e com ele sepultadas.

Não trazes arrependimentos
e lamúrias para o morto,
vai e retoma a tua vida,
se possível a partir do nada,
e deixa-o sereno
em seu descanso eterno.


PAI


Pai,
É único o amor que sinto por ti.
É eterno ainda que te vás.
Mesmo quando só restar pó,
Será uniforme,
Será sempre,
Será,
Pai.

RENASCER

Quando tudo for escuridão
E nem uma réstia de luz puder ser vista
Quando tudo for silêncio profundo
E não se puder ouvir o ciciar das folhas
Quando mais nada tiver
Para ser dito e explicado
Quando todos os olhos fecharem
Todas as bocas calarem
Quando a esperança for sepultada
E além do horizonte
Nenhum arco-íris for reconhecido
Quando tudo morrer...
Então será preciso recomeçar
Dar-se ao infinito
E renascer...

Maria Jania Teixeira
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