MARIA JANIA TEIXEIRA
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Antes mesmo de um nascer, há 40 anos atrás, meu pai já tinha escolhido meu nome, seria Jânio, porque, segundo a lógica dele, como já havia nascido um menino e duas meninas, o próximo seria outro menino. E meu destino como farmacêutica também já tinha sido traçado por ele antes mesmo de eu nascer. No entanto, o mesmo destino pregou duas peças em meu pai: primeiro nasceu uma menina, ficou Jânia de qualquer forma, e mais tarde, a farmacêutica que ele desejou que eu fosse se apaixonou pela pesquisa e se tornou uma pesquisadora. Mas a poetisa que há dentro de mim veio antes mesmo da farmacêutica e da pesquisadora, aflorou antes mesmo que eu soubesse o que é uma poesia. Mas quem é de fato a poetisa que há em mim? Sou a quarta filha de uma família de seis filhos, nasci e cresci em uma cidade do Ceará, chamada Itapipoca, nome indígena que significa "pedra lascada, partida". Meu pai era farmacêutico, e como ele havia decidido que eu seria a próxima farmacêutica da família, quando eu não estava estudando ou brincando, estava por trás dos velhos balcões de sua farmácia, bebendo avidamente de sua sabedoria e sonhando ser como ele. Amava o ambiente da farmácia e a idéia de seguir a carreira de farmacêutica sempre foi muito óbvia para mim. No momento certo, eu e meus irmãos mais velhos fomos estudar na capital, Fortaleza. Fiz farmácia, me especializei em análises clínicas, mas algo muito forte me aconteceu nos últimos anos de faculdade - eu fui apresentada a pesquisa e por ela fiquei completamenteapaixonada. Ao terminar meu curso de farmácia achei que precisava trabalhar um tempo com meu pai na farmácia, eu queria ter essa experiência ao lado dele, dessa vez com mais formação e mais preparada, embora eu soubesse que era apenas temporário.

 

Ao mesmo tempo não abandonei a pesquisa, continuei fazendo trabalho dentro da área que eu adoro, a imunoparasitologia. Por 5 anos tive meus dois amores e lidava bem com os dois. Mas então chegou o dia que tive que tomar a decisão de escolher apenas um dos amores, e escolhi minha paixão maior, a pesquisa. Meu pai entendeu e aceitou, o que me confortou muito. Voltei para Fortaleza e desta vez para fazer Mestrado, Doutorado e seguir definitivamente uma carreira acadêmica. Durante este período de formação acadêmica, a poesia esteve trancada dentro de mim, como um Ícaro prisioneiro, eu a sentia lá, mas não estava ainda pronta para deixá-la sair outra vez. Agora, tenho-a de volta, liberta, outra vez dona de si mesma. Minha poesia é, em primeiro lugar, o fruto de sentimentos humanos transformados em versos. Talvez não haja sinais de renovação ou inquietação neles, como seria o esperado em uma poetisa estreante, porém, o que de fato espero é que meus versos tornem-se capazes de resistir a leituras seguidas e não se percam no tempo, como folhas mortas de outono.

Para entrar em contato com a poeta:
eup601@terra.com.br

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